Inteligência Artificial

Jornada de Compra do Cliente com IA: Como Saber Onde Entra o Link de Afiliado

Por Edson R. Melo • • 9 min de leitura

Balões de fala fechados por cadeados, com uma lupa sobre um deles e uma chave abrindo o último

A maior parte dos links de afiliado não morre por causa do produto. Morre porque chegou cedo demais, na frente de alguém que ainda estava tentando entender o próprio problema.

É um erro difícil de enxergar, porque de fora parece que o conteúdo funcionou: teve visualização, teve comentário, teve clique. Só não teve venda. E a conclusão que quase todo mundo tira é a errada, que o produto não presta ou que o público não compra.

Este artigo é sobre a peça que está faltando aí. Vou mostrar como montar a jornada de compra do cliente com IA para afiliados: quais perguntas a pessoa faz em cada momento, qual conteúdo responde cada uma delas e em qual ponto o seu link deixa de ser interrupção e vira resposta.

O que é a jornada de compra, na prática

Jornada de compra é o caminho entre perceber um problema e decidir onde comprar a solução. Escrito assim parece teoria de faculdade, mas o efeito prático é bem concreto: a mesma pessoa, com o mesmo problema, precisa de coisas diferentes dependendo de onde ela está nesse caminho.

Pense em alguém que quer emagrecer. Se ela ainda está na fase de "por que eu não consigo manter dieta nenhuma", um link para um programa de treino não resolve nada. Ela não está comparando programas, está tentando entender o que acontece com ela.

Duas semanas depois, a mesma pessoa pode estar digitando "programa X funciona mesmo" no Google. Aí sim o link é exatamente o que ela quer. Mudou a pergunta, mudou o que serve como resposta.

Quem trata a audiência como um bloco só está sempre falando com uma dessas versões e ignorando as outras três. Mapear a jornada é parar de fazer isso.

Os quatro momentos que todo comprador atravessa

Eu trabalho com quatro momentos. Não é a única divisão possível, mas é a que cabe na cabeça e dá para usar no dia a dia sem precisar de planilha.

  • Momento 1, o problema ainda é invisível. A pessoa sente o incômodo, mas não deu nome a ele. Ela pesquisa sintoma, não solução.
  • Momento 2, o problema tem nome, a solução não. Ela já sabe o que está errado e começa a procurar caminhos. Aqui ela compara tipos de solução, não marcas.
  • Momento 3, comparação. Ela escolheu o tipo de solução e agora quer saber qual é a melhor, se funciona, se tem golpe no meio e o que dizem quem já usou.
  • Momento 4, decisão. Ela já sabe o que quer comprar e está resolvendo onde, por quanto e com qual garantia.

O detalhe que muda tudo: a comissão só existe no momento 4, mas a confiança que faz o clique acontecer é construída nos momentos 2 e 3. Quem só produz conteúdo de momento 4 disputa a decisão de gente que nunca ouviu falar dele. Quem só produz conteúdo de momento 1 tem audiência grande e comissão nenhuma.

Os 5 prompts que montam o seu mapa

A IA é boa nisso por um motivo específico: ela organiza volume de linguagem. Você joga um monte de pergunta solta e ela devolve isso separado por intenção, o que na mão levaria uma tarde.

Antes dos prompts, um aviso que vale mais que eles: a IA não conhece o seu público. Sem material seu, ela devolve a média da internet sobre o assunto, que é genérica e serve para qualquer nicho. Junte antes o que você tiver de real, mesmo que seja pouco: comentários de vídeos do nicho, perguntas que já te fizeram, termos de busca do relatório da campanha, dúvidas de grupo de WhatsApp.

Prompt 1: tirar as perguntas reais, com as palavras delas

"Você é pesquisador de audiência. Liste 30 perguntas que uma pessoa [descreva o perfil: idade, situação, o que ela quer] faz antes de comprar [tipo de solução]. Escreva com as palavras que ela usaria, incluindo as informais e as mal formuladas. Não use vocabulário de marketing."

Depois cole o seu material bruto e peça para ela acrescentar o que aparecer ali e não estiver na lista. É desse cruzamento que sai o vocabulário que você vai usar em título, anúncio e roteiro.

Prompt 2: separar as perguntas por momento

"Classifique cada pergunta da lista em um destes quatro momentos: 1 não sabe que tem o problema, 2 conhece o problema mas não a solução, 3 compara soluções, 4 já decidiu e escolhe onde comprar. Justifique cada classificação em uma linha e me diga qual momento ficou com menos perguntas."

A última parte é a que interessa. O momento com menos perguntas costuma ser o buraco do seu conteúdo, e quase sempre é o 3, que é justamente o que antecede a compra.

Prompt 3: achar a objeção que ninguém escreve

"Para cada pergunta do momento 3, aponte o medo por trás dela, aquilo que a pessoa não diz em voz alta. Depois diga o que precisaria acontecer para esse medo desaparecer."

Esse é o prompt que mais me surpreende. "Esse curso é atualizado?" quase nunca é sobre atualização. É medo de comprar algo que já não funciona mais e passar por trouxa. Um conteúdo que responde a pergunta de superfície não desarma nada. Um que responde o medo, desarma.

Prompt 4: definir o conteúdo de cada momento

"Para cada momento, proponha três conteúdos que respondem as perguntas dele. Diga o formato (vídeo curto, artigo, comparativo, review, checklist), o título e exatamente qual pergunta da lista aquele conteúdo fecha. Um conteúdo por pergunta, sem juntar duas."

A restrição do "um conteúdo por pergunta" existe porque a IA adora entregar conteúdo guarda-chuva, que fala de tudo e não fecha nada. Conteúdo que responde uma pergunta só converte melhor e é mais fácil de fazer.

Prompt 5: decidir onde o link entra

"Considere que meu link de afiliado só faz sentido para quem já decidiu comprar. Para cada conteúdo da lista, diga se o link entra como resposta natural ou se seria interrupção. Onde for interrupção, aponte qual outro conteúdo meu é o próximo passo lógico."

O resultado desse último prompt é o mapa de verdade: um desenho de quais conteúdos levam ao link e quais levam a outro conteúdo. É o que transforma peças soltas em caminho, ideia que eu detalhei no artigo sobre cluster de conteúdo no SEO.

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Com o mapa na mão, a decisão fica quase automática. Cada momento tem um próximo passo que é o certo, e ele nem sempre é a página de vendas.

  • Momento 1: nenhum link de afiliado. O próximo passo é outro conteúdo seu, que dá nome ao problema. Aqui você ganha atenção, não comissão.
  • Momento 2: ainda não. O passo natural é trocar o conteúdo por um contato, normalmente e-mail, para continuar a conversa depois. Para essa parte eu prefiro plataforma que junte funil, e-mail e automação numa conta só, como a leadlovers, em vez de amarrar três ferramentas separadas no começo.
  • Momento 3: aqui o link já cabe, desde que venha dentro de um comparativo ou review honesto, com o que o produto não faz bem também. Boa parte das comissões nasce nesse ponto.
  • Momento 4: o link é a resposta. Conteúdo curto, direto, sem enrolação: onde comprar, o que está incluso, qual a garantia. É a lógica que eu descrevi na copy de fundo de funil.

Repare que em dois dos quatro momentos o melhor destino não é a oferta. Isso não é perder venda, é não queimar a pessoa antes da hora.

O erro que mata o link antes do clique

O erro mais comum é usar o mesmo destino para todo mundo. Um único link, na bio, na descrição, no fim de todo conteúdo, apontando sempre para o checkout.

Foi exatamente isso que eu fiz por muito tempo, e o resultado é enganoso: aparece clique, aparece visita, e a conversão fica no chão. Como o tráfego "existe", a gente culpa a página, troca de produto, refaz o criativo. O problema não era nenhum dos três: a pessoa que clicou ainda estava no momento 2, e a página falava com quem estava no 4.

O segundo erro é mais sutil: escrever conteúdo de momento 3 com linguagem de momento 4. Você acha que está comparando soluções, mas o texto todo pressupõe que a pessoa já decidiu. Quem lê sente que está sendo empurrado, e sai.

Tem um terceiro, que é achar que o mapa vale para sempre. Muda produto no mercado, muda promessa da concorrência, muda a dúvida do público. Eu refaço o meu quando percebo que as perguntas nos comentários já não são as mesmas da última vez.

Como confirmar o mapa com dado real

O mapa que sai da IA é hipótese, não verdade. Ele fica bom quando encosta em dado, e dado aqui é mais acessível do que parece.

  • Comentários. Nos seus vídeos e nos vídeos grandes do nicho. Comentário é a pergunta que a pessoa fez sem filtro, é o material mais honesto que existe de graça.
  • Termos de busca da campanha. Se você roda tráfego, esse relatório mostra a frase exata que a pessoa digitou. Dá para classificar por momento e ver onde o seu dinheiro está caindo. Volume e custo por clique de cada termo ajudam a decidir onde vale produzir, e é isso que eu olho no FiltriAds, dentro do Filtrify, antes de escrever qualquer coisa.
  • Buscas relacionadas do Google. Aquelas sugestões no fim da página são perguntas reais de gente real, agrupadas de graça.
  • As respostas do seu e-mail. Se você já tem lista, pergunte em uma linha qual é a maior dúvida da pessoa hoje. Duas dúzias de respostas valem mais que qualquer prompt.

Cole esse material de volta no prompt 2 e peça para a IA reclassificar. O mapa muda, e o que muda mais é onde você achava que o público estava. Na primeira vez que fiz isso, descobri que quase todo o meu conteúdo falava com o momento 4, enquanto as perguntas que chegavam eram do 2.

Se você quiser aplicar a mesma lógica antes de escolher o produto, e não só o conteúdo, escrevi sobre isso em pesquisa de produto de afiliado com IA.

Perguntas frequentes

O que é a jornada de compra do cliente?

É o caminho que a pessoa percorre entre perceber que tem um problema e decidir onde comprar a solução. Ela não passa direto do primeiro ponto ao último: em cada momento a dúvida na cabeça dela é outra, e o conteúdo que ajuda também é outro.

A IA sabe qual é a jornada do meu público?

Não sozinha. Sem informação sua, ela devolve a média da internet sobre aquele assunto. O mapa fica útil quando você entrega o material bruto: comentários de vídeo, perguntas que você recebe, termos de busca do relatório da campanha. A IA organiza e enxerga padrão, mas o dado precisa vir de você.

Em qual etapa da jornada o link de afiliado deve entrar?

Na etapa em que a pessoa já escolheu o tipo de solução e está decidindo onde comprar. Antes disso o link não é resposta para a dúvida dela, é interrupção. Nos conteúdos das etapas iniciais, o próximo passo certo costuma ser outro conteúdo seu, ou a captura de e-mail.

Preciso criar um conteúdo para cada etapa da jornada?

Com o tempo, sim, mas não de uma vez. Comece pelo conteúdo da etapa mais próxima da compra, que é o que traz retorno primeiro, e vá preenchendo as etapas anteriores conforme conseguir produzir. O mapa serve justamente para você saber o que já tem e o que está faltando.

Isso funciona para quem ainda não tem audiência nenhuma?

Funciona, com uma diferença: sem público próprio você ainda não tem material bruto para alimentar a IA. Nesse caso use fontes de fora, como comentários de vídeos grandes do seu nicho, perguntas em fóruns e as buscas relacionadas do Google, e trate o mapa como hipótese a confirmar nas primeiras semanas.

Para fechar

Mapear a jornada não aumenta o seu tráfego. Aumenta o aproveitamento do tráfego que você já tem, que é onde quase todo afiliado está perdendo dinheiro sem saber.

Se você for fazer uma coisa só depois de ler isto, faça o prompt 2: pegue as perguntas que já te fizeram e separe por momento. Em dez minutos você vê com qual versão do seu público está falando, e provavelmente não é a que você imaginava.

Não existe fórmula mágica aqui. O processo é simples, mas isso não significa que seja fácil, porque ele exige produzir conteúdo para momentos que não pagam comissão hoje. Pode funcionar para você, mas depende de como colocar em prática. Se este conteúdo ajudou, aproveite para conferir os outros artigos do blog.

Edson R. Melo

Sobre o Autor

Edson R. Melo é estrategista digital e especialista em tráfego pago há 7 anos. Já geri campanhas de Google Ads em múltiplos mercados (Brasil, EUA, Reino Unido, Alemanha e Suíça) e construiu operações de afiliado do zero até a escala. Ensino o que aplico nas minhas próprias campanhas, sem teoria descolada da prática.

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