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Como Espionar Anúncios de Concorrentes no Google Ads com IA: o Que Copiar e o Que Ignorar

Por Edson R. Melo • • 10 min de leitura

Gaveta de fichário aberta com uma ficha erguida sob uma lupa e um carimbo suspenso sobre uma ficha em branco

Toda semana aparece alguém perguntando qual oferta está vendendo agora. A pergunta parece prática, mas é a pergunta errada. A certa é: como eu descubro isso sozinho, sem depender de print de faturamento em grupo de Telegram que ninguém consegue conferir.

A resposta já está pública, e de graça. Quem anuncia no Google e na Meta tem os anúncios visíveis em uma biblioteca aberta, com a data em que entraram no ar. Isso significa que dá para ver o que a concorrência está rodando, há quanto tempo e em que formato, sem pedir permissão para ninguém e sem assinar ferramenta nenhuma.

O que a maioria faz com esse acesso é abrir, olhar dez anúncios, copiar o título do que parece mais bonito e colocar no ar. Não funciona. Neste artigo eu mostro o processo que eu uso para espionar anúncios de concorrentes no Google Ads com IA: o que dá para ver de verdade, como usar a IA para achar o padrão no meio do monte, os prompts que eu rodo e onde está a linha que separa pesquisa de plágio.

O que dá para ver de graça, e o que não dá

Antes de qualquer processo, é importante saber o tamanho da janela. Espionar concorrente não é ver o painel do cara. É ver a vitrine dele, que por lei e por política das plataformas é pública.

Você tem três fontes gratuitas, e cada uma mostra uma coisa diferente:

  • Centro de Transparência de Anúncios do Google. Você busca por anunciante ou por assunto, filtra por país e formato, e vê os anúncios que aquele anunciante veiculou, com as datas de exibição. É onde você descobre quem está comprando tráfego no seu nicho.
  • Biblioteca de Anúncios da Meta. Mostra os anúncios ativos no Facebook e no Instagram, com a data em que começaram a rodar. Mesmo que seu foco seja o Google, vale olhar: boa parte das ofertas de afiliado roda nos dois lugares, e o criativo da Meta entrega a promessa da oferta com muito mais clareza que um anúncio de texto.
  • Insights de leilão, dentro da sua conta do Google Ads. Esse só existe se você já anuncia. Ele mostra com quem você divide o leilão nas suas palavras, com que frequência vocês aparecem juntos e quem costuma ficar acima. É a fonte mais honesta de todas, porque não é o que você acha que é concorrente, é quem realmente está ali.

Agora a parte que nenhuma ferramenta, paga ou gratuita, entrega: você não vê orçamento, não vê custo por venda, não vê taxa de conversão e não vê se aquilo dá lucro. Qualquer painel que mostre esses números para você está estimando, e estimativa de fora da conta erra feio.

O que substitui esse dado que você não tem é o tempo. Anúncio que está na biblioteca há meses, praticamente sem mudança, é o sinal mais forte que existe de graça. Ninguém mantém verba ligada por meses em campanha que perde dinheiro. Tempo no ar é o único indicador de lucro que você consegue observar de fora.

O erro que faz a maioria copiar a coisa errada

O afiliado abre a biblioteca, acha um anúncio com um título forte, copia o título, troca uma palavra e sobe. Uma semana depois está com clique caro, sem venda, achando que o nicho está saturado.

O problema é que ele copiou a camada errada. O anúncio é a ponta visível de uma coisa muito maior: a oferta, a página, a prova que aquela página carrega, o histórico da conta que está anunciando e o público que já conhece aquela marca. Você copiou a frase e deixou de fora tudo que fazia a frase funcionar.

Tem também o efeito colateral óbvio. Entrar no mesmo leilão com a mesma mensagem do concorrente é a forma mais rápida de virar a opção pior. Se as duas ofertas dizem a mesma coisa e uma delas já tem histórico, adivinhe qual o Google vai preferir mostrar.

O que se copia não é o texto. É o padrão: a dor que todos os anunciantes de peso estão atacando, o formato da promessa, a objeção que cada um escolhe quebrar primeiro, o tipo de página que recebe o clique. Esse padrão é o que a IA ajuda a enxergar, porque ele só aparece quando você olha vinte anúncios juntos, não um.

O processo em 5 passos

Esse é o fluxo que eu rodo quando vou entrar em um nicho novo ou quando uma campanha minha para de performar e eu preciso entender o que mudou no mercado. Leva entre uma e duas horas, não mais que isso.

1. Monte a lista de concorrentes pelos termos, não pelos nomes

O erro aqui é listar as marcas que você já conhece. Elas não são necessariamente quem está comprando o clique que você quer.

Pegue as cinco ou seis palavras-chave que você pretende usar, e busque cada uma no Centro de Transparência filtrando pelo seu país. Anote quem aparece mais de uma vez. Se você já anuncia, abra os insights de leilão da campanha e cruze as duas listas. Quem estiver nas duas é o concorrente de verdade.

Pare em três a cinco anunciantes. Mais que isso você começa a coletar quem entrou ontem e sai na semana que vem, e é justamente esse ruído que atrapalha a leitura do padrão.

2. Colete olhando a data, não o criativo

Para cada anunciante da lista, copie os anúncios para um documento simples. Título, descrição, formato e, o campo mais importante, o período em que ele esteve no ar.

Marque os que estão rodando há mais tempo. Esses vão para o topo da sua lista. Anúncio que ficou uma semana no ar e sumiu é teste que o concorrente fez e descartou: se você copiar, está copiando o fracasso dele achando que é o acerto.

É um trabalho manual e chato, e ele é o que separa quem faz análise de quem faz suposição. Não pule.

3. Peça padrão para a IA, nunca opinião

Aqui entra a IA, e o modo como você pergunta decide tudo. Se você colar os anúncios e perguntar "qual é o melhor?", vai receber uma opinião educada e inútil, porque o modelo não faz ideia de qual vendeu.

O que você pede é classificação e contagem. Quais dores aparecem, quantas vezes cada uma, que tipo de promessa cada anúncio faz, qual objeção cada um ataca, que ângulos ninguém está usando. A IA é excelente nisso: ler trinta textos e agrupar por semelhança é exatamente o trabalho que ela faz melhor que você, e sem cansar no décimo.

4. Abra a página de destino, porque a oferta está lá

Esse passo é o que quase todo mundo pula, e é o mais valioso dos cinco.

Clique no anúncio que está no ar há mais tempo e leia a página inteira. É ali que está a promessa completa, o preço, a garantia, o bônus, o tipo de prova usada e a estrutura do argumento. O anúncio é a chamada; a página é a oferta. E é a oferta que faz a venda.

Cole essa página na IA também e peça a estrutura: qual é a promessa principal, em que ordem os argumentos aparecem, que objeções são tratadas e o que é oferecido como razão para comprar hoje. Se você quiser aprofundar essa parte, eu detalhei o filtro que uso no artigo sobre pesquisa de produto de afiliado com IA.

5. Transforme o padrão em hipótese sua

Com o padrão na mão, você tem duas opções, e as duas são válidas.

A primeira é entrar no que todo mundo está fazendo, porque aquilo claramente funciona, e tentar fazer melhor. Exige verba e paciência, porque você chega por último num leilão já disputado.

A segunda, que eu prefiro para quem está começando, é procurar o vazio. Se os cinco anunciantes atacam preço e nenhum fala de tempo, tempo é o seu ângulo. Não é intuição, é um buraco que apareceu na contagem do passo 3. Escrevi um artigo inteiro sobre esse recorte, em como achar o ângulo de campanha que ninguém está usando.

Seja qual for a escolha, ela sai como hipótese para testar, não como verdade. Você continua sem saber o custo por venda de ninguém. Só ficou muito mais bem informado sobre onde apostar o primeiro real.

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Os prompts que fazem a IA trabalhar de verdade

Três prompts cobrem o processo inteiro. Use na ordem, na mesma conversa, para o modelo não perder o contexto do que já analisou.

Prompt 1, para mapear o padrão. "Abaixo estão anúncios de concorrentes do nicho [seu nicho], coletados da biblioteca pública. Para cada um, identifique: a dor principal, o tipo de promessa, a objeção que ele ataca e o público que parece ser o alvo. Depois monte uma tabela contando quantas vezes cada dor e cada tipo de promessa se repetem. Não avalie qual é melhor, apenas classifique e conte."

Prompt 2, para achar o vazio. "Com base nessa classificação, liste as dores e os ângulos que esse mercado NÃO está usando e que fariam sentido para o mesmo público. Para cada ângulo em falta, diga qual é o motivo mais provável de ninguém estar usando, incluindo a hipótese de que ele simplesmente não converte."

Essa segunda metade do prompt é o que evita o entusiasmo bobo. Às vezes o ângulo está vago porque já foi testado e morreu, e a IA sozinha nunca levanta essa possibilidade.

Prompt 3, para virar campanha. "Considerando o ângulo [X] que ficou de fora, escreva 5 variações de título de até 30 caracteres e 3 descrições de até 90 caracteres para anúncio de pesquisa do Google Ads. Não use promessa de resultado, não use superlativo e não mencione nenhuma marca de terceiro."

Repare nas restrições do final. Elas não são preciosismo: são as três coisas que mais fazem anúncio de afiliado ser reprovado, e a IA adora escrever exatamente isso se você não proibir.

O que a IA erra nessa análise

Uso IA nesse processo todo dia, e ela erra de formas previsíveis. Saber quais são economiza semanas.

  • Ela inventa desempenho. Pergunte qual anúncio converte mais e ela vai responder com confiança total, baseada em nada. Ela não tem acesso a dado de conversão de ninguém. Só use para classificar o que está escrito.
  • Ela confunde volume com relevância. Se um concorrente subiu quinze variações do mesmo anúncio no mesmo dia, a contagem vai dizer que aquela dor é dominante. Não é: é um anunciante só, testando. Conte por anunciante, não por anúncio.
  • Ela suaviza tudo. Peça para reescrever o ângulo e o texto volta genérico, do tipo que serve para qualquer produto. O padrão que você levantou é específico, e ele precisa continuar específico no anúncio.
  • Ela não sabe o que é atual. O modelo não tem ideia do que está no ar hoje no seu nicho. Todo o valor vem do material que você colou. Se a coleta foi preguiçosa, a análise é lixo bem organizado.

O que dá para copiar e o que derruba sua conta

Essa parte importa mais do que parece, porque o prejuízo aqui não é uma campanha ruim, é a conta suspensa.

Pode copiar: a estrutura do argumento, o tipo de promessa, a dor escolhida, o formato do anúncio, a ordem em que a página apresenta as informações, o fato de o concorrente usar garantia ou não. Isso é leitura de mercado, é o que todo anunciante sério faz.

Não pode copiar: o texto do anúncio palavra por palavra, a imagem ou o vídeo do criativo, a página de vendas clonada e o nome de marca registrada de terceiro dentro do seu anúncio. Os três primeiros são conteúdo protegido, e o último tem regra própria e restritiva nas políticas do Google, com o titular da marca podendo reclamar e derrubar o anúncio.

Tem ainda um limite que pega afiliado com frequência: promessa de resultado. Muito anúncio que você vê na biblioteca promete ganho em dinheiro e em prazo. Alguns estão no ar porque o anunciante tem conta antiga e estrutura para sustentar aquilo; outros vão cair na semana seguinte. Copiar esse tipo de promessa por achar que "se está no ar, é permitido" é o caminho mais curto para a reprovação. Expliquei como contornar isso em como escrever anúncio sem promessa de resultado.

A régua que eu uso é simples: se eu precisasse mostrar minha análise para o concorrente, eu ficaria confortável? Estudar o que ele faz, sim. Colar o que ele escreveu, não.

Perguntas frequentes

É legal espionar os anúncios dos concorrentes?

Olhar é legal e público. Tanto o Google quanto a Meta mantêm bibliotecas abertas de anúncios justamente para dar transparência a quem paga por publicidade. O que não é permitido é reproduzir material protegido, como o criativo, a imagem ou o texto inteiro de outra empresa, e usar marca registrada de terceiro no seu anúncio sem autorização.

Como saber se o anúncio do concorrente está dando lucro?

Não dá para saber com certeza, e qualquer ferramenta que prometa isso está estimando. O único indício confiável e gratuito é o tempo: anúncio que aparece na biblioteca há meses, sem mudar, quase sempre está se pagando. Ninguém mantém verba ligada por muito tempo em campanha que perde dinheiro.

Dá para espionar anúncios do Google Ads sem pagar ferramenta?

Dá. O Centro de Transparência de Anúncios do Google e a Biblioteca de Anúncios da Meta são gratuitos e abertos a qualquer pessoa, sem conta de anunciante. Ferramenta paga entrega histórico maior e organização, o que economiza tempo, mas não é requisito para começar.

Posso copiar o anúncio que está vendendo mais?

Copiar palavra por palavra é o pior resultado possível. Você entra no mesmo leilão com a mesma mensagem, sem o histórico de conta e sem a página que sustenta a promessa, e ainda corre risco de reprovação por conteúdo duplicado ou uso indevido de marca. O que se copia é o padrão: a dor, o formato da promessa, a objeção que a oferta quebra.

Quantos concorrentes preciso analisar?

Poucos e bem escolhidos valem mais do que uma lista grande. Três a cinco anunciantes que estão no ar de forma contínua no seu nicho já mostram o padrão. Acima disso, você começa a coletar anúncio de quem entrou ontem e vai sair na semana que vem, e isso suja a leitura.

Para fechar

Espionar concorrente não é atalho. É pesquisa, e como toda pesquisa ela só vale pelo que você faz depois.

Se você tirar uma coisa só deste artigo, tire esta: olhe a data antes de olhar o texto. O anúncio que está no ar há meses te ensina mais do que os vinte que apareceram esta semana, e a IA não vai te dizer isso sozinha, porque ela não enxerga o calendário. Esse filtro é seu.

Pode funcionar para você, mas depende de como colocar em prática. Se este conteúdo ajudou, aproveite para conferir os outros artigos do blog, ou comece pelo mini curso gratuito de marketing de afiliados que preparei para quem quer montar a operação do jeito certo desde o início.

Fontes e leitura complementar

Edson R. Melo

Sobre o Autor

Edson R. Melo é estrategista digital e especialista em tráfego pago há 7 anos. Já geri campanhas de Google Ads em múltiplos mercados (Brasil, EUA, Reino Unido, Alemanha e Suíça) e construiu operações de afiliado do zero até a escala. Ensino o que aplico nas minhas próprias campanhas, sem teoria descolada da prática.

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